Voltar para artigos
CategoriaPacotes NPM

Criei um orquestrador de agentes depois de torrar meu budget semanal do Claude Code

24 de julho de 2026
Tags
Inteligência ArtificialLLMAutomaçãoOpen SourceProdutividade
Criei um orquestrador de agentes depois de torrar meu budget semanal do Claude Code

Por que eu parei de confiar em prompt bem escrito

Tempo estimado de leitura: 4 min

A gota d'água foi uma auditoria na empresa. A torre de tecnologia precisava de moral, e moral na prática significava código testado, vários projetos, prazo apertado, confiança alta. Eu fiz o que todo mundo faz: joguei tarefa gigante no Claude Code e confiei no prompt bem escrito.

Não deu certo. Aprendi umas coisas no processo.

1 - Não importa o quanto você refine o prompt, o agente tende a alucinar à medida que a quantidade de trabalho aumenta. 2 - Orquestração automática não te dá controle humano: tudo acaba delimitado pela IA, não por você. 3 - Claude Code, embora satisfatório, é caro, e o agente sempre vai encerrar antes de concluir uma tarefa gigantesca, mesmo que seja só pra pedir pra continuar. 4 - Escrever testes em legado é tão simples quanto demorado. 5 - Gerenciar múltiplos prompts em paralelo dá uma exaustão mental que te desvia da tarefa. 6 - Até mesmo a mais simples das LLMs retorna resultados incríveis em tarefa pequena de escopo fechado.

O número pessoal: antes eu torrava o budget semanal da assinatura. Hoje gasto uns cinco reais pra gerar testes de um projeto de 200+ arquivos.

O problema nunca foi o modelo. Foi a falta de método. Daí nasceu o huu.

O que o huu é

O huu (Humans Underwrite Undertakings, "humanos subscrevem empreitadas") é um orquestrador de agentes onde o método é seu e a inteligência é do modelo. Você escreve um pipeline em JSON listando os passos e os arquivos; ele vira N agentes paralelos, um por arquivo, cada um num git worktree isolado, mesclados a cada etapa com git merge --no-ff em ordem fixa, tudo dentro de Docker pra o agente nunca ver suas credenciais.

O foco é auditoria, geração de testes e extração de conhecimento. Feature nova, "conserta esse bug", não é com ele. No GIF do repo dá pra ver uma run real: 55 minutos gerando uma suíte de testes (100% de cobertura de linha naquela execução, sem garantia de que a sua repita o número).

Instalação

Você precisa de Node.js 20+, git e Docker. Docker é obrigatório, não opcional: o huu só roda dentro de container, então suas credenciais de shell ficam de fora. E uma OPENROUTER_API_KEY, que é por onde os modelos entram. Testei tudo aqui com a versão 5.2.0 do npm.

bash
export OPENROUTER_API_KEY=sk-or-...  # chave do openrouter.ai/keys
npm install -g huu-pipe              # instala o CLI global
huu                                  # abre a web UI e re-executa no container

O huu sobe a interface em http://localhost:4888 e já materializa os pipelines default em ./pipelines/. Se preferir terminal, huu --cli.

Na prática: tarefa gigante vira N tarefas pequenas

O jeito comum de fazer isso é abrir o Claude Code e mandar: "escreva testes pro projeto inteiro". Eu fiz isso. Muitas vezes. O agente começa bem nos primeiros arquivos, aí o contexto degrada, ele alucina à medida que o trabalho aumenta e sempre encerra antes de concluir, mesmo que seja só pra pedir pra continuar.

O jeito huu é outro. A pipeline huu Test Suite primeiro faz um recon que descobre sozinho os arquivos test-worthy, sem você apontar nada. Daí um step com scope per-file faz o fan-out:

json
// pipelines/meu.pipeline.json
{
  "name": "Write tests for $file",
  "prompt": "Escreva testes unitários para $file seguindo o huu-tests.md.",
  "files": [],
  "scope": "per-file"
}

Mesmo prompt pra todo mundo, só $file muda. Trinta agentes em paralelo, cada um com uma missão única de escopo fechado. No fim, um juiz roda a suíte e devolve pra retrabalho se não passar.

Funciona por um motivo simples: cada agente recebe uma tarefa pequena de escopo fechado, que é exatamente onde até a mais simples das LLMs entrega resultado incrível.

Quando usar (e quando não usar)

A regra prática é uma frase só: se cada passo exige uma decisão aberta de design, não é trabalho pro huu; se o método é conhecido e só falta executá-lo com rigor, é exatamente o trabalho dele.

Serve pra auditoria, geração de testes, extração de conhecimento, migração mecânica em massa. Tipo migrar 40 testes de Mocha pra Vitest: o prompt é idêntico nos 40 arquivos, só muda o $file. Não serve pra "conserta esse bug" ou "constrói essa feature". Trabalho aberto pede agente interativo, e escrever pipeline pra isso é overhead puro.

O impacto concreto: hoje eu gasto uns cinco reais pra testar um projeto de 200 arquivos. Antes, torrava o budget semanal inteiro do Claude Code.

Cuidados

Antes de sair rodando em produção crítica, algumas ressalvas honestas.

O huu é um projeto jovem, essencialmente de autor único, com desenvolvimento fortemente assistido por IA. Tem mais de 1.100 testes em Vitest, mas não tem CI automatizado: rodar typecheck e testes antes do commit é convenção do contribuidor, não gate. Avalie como você avaliaria qualquer ferramenta nova de uma pessoa só.

Determinístico é o método, não o resultado. Duas runs do mesmo pipeline dão diffs diferentes, e conflito de merge cai num resolvedor LLM, por construção. E cobertura de linha só prova que o código rodou, não que as asserções pegariam um bug: trate 100% como ponto de partida, não como prova.

Por fim, Docker é obrigatório (as antigas flags --no-docker e --yolo foram removidas), e o custo dos passos de merge e judge ainda não entra no total reportado.

O convite

O próximo passo é simples: instala e roda o huu Test Suite num projeto seu, ou abre http://localhost:4888/simulation pra ver tudo funcionando sem chave e sem custo. Zero risco.

Mas, honestamente, o que eu queria mesmo deixar é a reflexão: repensa como a gente usa IA no dia a dia, porque isso tá ficando caro. Use a ferramenta que quiser. A tese é o método ser seu, a inteligência ser do modelo.

Se ajudar, uma estrela no github.com/frederico-kluser/huu é bem-vinda, e pipelines novos e issues também. E manda esse post pro seu time no Slack ou WhatsApp, principalmente pra quem controla o budget.